Numa época em que tudo é digital, segurar um livro bonito nas mãos tem algo de insubstituível. Um livro da história da família, uma coleção cuidadosamente escolhida de fotos, histórias, documentos e memórias, vira uma âncora concreta para a identidade da sua família. Ele fica na mesa de centro ou na estante e convida a folhear sem compromisso, o que leva a conversas profundas.
Fazer um é um projeto maior do que um fotolivro comum, mas o resultado tem um significado incomparavelmente maior. Veja como encarar esse projeto.
Planejando o livro
Antes de começar a reunir o material, defina o escopo. O livro vai cobrir a árvore genealógica inteira, voltando várias gerações, ou se concentrar num ramo ou numa época específica? Uma abordagem comum é começar pela geração dos seus avós e seguir até hoje. Assim o escopo fica administrável e inclui as gerações que mais correm o risco de serem esquecidas.
Faça um roteiro dividido em capítulos. A organização cronológica (década por década) funciona bem para histórias de família lineares. A organização por temas (por ramo da família, por lugar ou por assunto, como “trabalho” ou “tradições”) pode ser mais envolvente para famílias com histórias complexas e entrelaçadas.
Reunindo o material
Os melhores livros de família combinam vários tipos de conteúdo: fotografias, documentos digitalizados, mapas, receitas, cartas escritas à mão, diagramas da árvore genealógica e textos narrativos. Fale com todos os ramos da família e peça contribuições. Você vai se surpreender com o que aparece: fotos que você nunca viu, cartas que você nem sabia que existiam, histórias que nunca foram escritas.
Para as partes narrativas, entreviste os familiares e escreva as histórias deles com a voz deles, sempre que possível. Relatos em primeira pessoa envolvem mais do que resumos em terceira pessoa. Inclua citações diretas, expressões típicas e os detalhes específicos que dão vida às histórias: “Ela sempre usava um lenço vermelho, até no verão.”
Projeto gráfico e diagramação
Resista à vontade de enfiar todas as fotos no livro. Seja rigoroso na seleção. Escolha imagens que contam histórias, mostram relações ou capturam épocas. Use bastante espaço em branco e uma tipografia consistente. Coloque legenda em todas as fotos: quem, quando, onde e, de preferência, uma frase de contexto ou de história.
Plataformas modernas de autopublicação como Blurb e Shutterfly tornam a impressão com qualidade profissional acessível a qualquer pessoa (existem outras também, e a disponibilidade e os preços podem ser diferentes no Brasil). Escolha uma encadernação lay-flat, que abre totalmente plana, para um acabamento mais sofisticado, e um papel que faça jus às fotografias antigas. Encomende exemplares suficientes para cada ramo da família, e alguns a mais para os futuros membros.
Transformando em um evento de família
O processo de criação pode ter tanto significado quanto o produto final. Organize um “encontro da história da família” em que os familiares tragam fotos, documentos e histórias para contribuir. Esses encontros muitas vezes provocam conversas que fazem surgir novas histórias e novas ligações. O livro deixa de ser só um produto e vira uma experiência compartilhada que fortalece os laços da família.
Quando estiver pronto, apresente o livro num evento de família. Revelar um livro da história da família é um momento marcante: ver a própria vida e a vida dos antepassados homenageadas num volume bonito emociona profundamente. Ele se torna uma herança de família que ganha valor a cada geração que acrescenta algo à história da família.