Um livro de memórias da família é um dos presentes mais carinhosos que você pode fazer para alguém. Ele reúne fotos, legendas e histórias sobre uma pessoa, um casal ou uma família inteira, para que as pessoas ali sejam lembradas como eram, e não só como rostos numa caixa. Este guia mostra como fazer um passo a passo, com ideias e listas para conferir, e depois compara com honestidade um livro de memórias digital e um impresso.
O que é um livro de memórias, e o que ele não é
Um livro de memórias não é a mesma coisa que um álbum de fotos ou um scrapbook, embora pegue um pouco de cada um.
- Um álbum de fotos reúne imagens, muitas vezes na ordem em que foram tiradas, com poucas palavras.
- Um scrapbook é sobre decoração: papel, adesivos, ingressos, uma página bonita de ver.
- Um livro de memórias conta uma história. Cada foto tem uma legenda, e entre as fotos há histórias curtas, cartas, receitas e as palavras da própria pessoa.
O teste é simples: um bisneto que nunca conheceu essas pessoas entenderia quem elas eram depois de ler? Se sim, é um livro de memórias.
Passo 1: escolha a pessoa e a ocasião
Decida primeiro sobre quem é o livro e por que você vai fazê-lo agora. Essa escolha dá forma a todo o resto.
- Um aniversário: 80 ou 90 anos, com uma vida em fotos e mensagens da família.
- Uma aposentadoria: uma vida de trabalho, os colegas, os lugares onde alguém passou quarenta anos. Veja também nossos projetos de aposentadoria para registrar uma história de vida.
- Uma homenagem: um livro para lembrar alguém que morreu, feito junto com a família.
- Para os netos: de onde eles vêm, escrito de um jeito que uma criança possa ler agora e um adulto possa reler mais tarde.
- Um casal ou uma família: cinquenta anos de casamento, ou a história de um ramo da família.
Passo 2: reúna o material
Reúna mais do que vai usar. É mais fácil escolher de uma mesa cheia do que sair procurando no meio do caminho.
- Fotos: fotos impressas, slides, fotos digitais de celulares e computadores antigos. Nosso guia para organizar fotos antigas da família no digital ajuda você a separá-las antes.
- Cartas e documentos: cartões-postais, boletins escolares, um convite de casamento, um diploma.
- Receitas: o cartão escrito à mão, com as manchas, diz mais do que a própria receita. Leia como guardar as receitas da família.
- Vozes: conversas gravadas, mensagens de voz, um vídeo antigo. Faça algumas perguntas à pessoa, ou a quem a conheceu, e grave as respostas. Nosso guia de entrevistas de história oral explica como.
Não sabe que perguntas fazer? Imprima nossa folha grátis com vinte perguntas para fazer aos seus pais, ou escreva uma primeira história com a entrevista em família gratuita, que fica no seu navegador.
Passo 3: escolha uma estrutura
Escolha uma estrutura principal. Misturar várias deixa o livro difícil de acompanhar.
- Cronológica: da infância até hoje. Natural para um aniversário ou uma homenagem. Nossa linha do tempo das fotos, gratuita, mostra suas fotos digitais ano a ano, e os anos que faltam aparecem logo.
- Por tema: trabalho, viagens, a cozinha, as férias, a amizade. Boa quando as datas são incertas.
- Por pessoa: um capítulo para cada membro da família. Boa para um livro da família.
- Por lugar: um capítulo para cada cidade, rua ou endereço. Boa para famílias que se mudaram muito.
Passo 4: escreva legendas que ainda funcionem daqui a cinquenta anos
A legenda é a parte que as pessoas pulam e depois lamentam. Embaixo de cada foto, escreva quatro coisas:
- Quem: nomes completos, da esquerda para a direita. Não “vovó”, mas “Maria Peeters, minha avó”.
- Quando: um ano, ou pelo menos uma década.
- Onde: a cidade, a rua, a ocasião.
- Uma lembrança: uma frase sobre o que aconteceu, o que foi dito, ou por que essa foto importa.
Isso basta. Uma legenda curta e verdadeira vale mais do que uma longa e vaga.
Passo 5: peça aos parentes que contribuam
Você não se lembra de tudo, e nem precisa. Peça a irmãos, irmãs, primos e velhos amigos duas coisas: as fotos que você não tem, e uma lembrança com as palavras deles. Dê uma pergunta clara e um prazo, por exemplo “uma história sobre o papai no trabalho, até o fim do mês”. Contribuições curtas de muita gente costumam fazer as melhores páginas.
Passo 6: dicas de diagramação
- Uma história por página dupla. Duas páginas lado a lado, um assunto. Quem lê sabe onde está.
- Poucas fontes. Uma para os títulos, uma para o texto. Grandes o bastante para leitores mais velhos.
- Deixe espaço. O espaço em branco deixa a foto respirar. Menos fotos, bem escolhidas, dizem mais.
- Use as palavras da pessoa. Uma frase com a voz dela vale mais do que um parágrafo sobre ela.
Para um livro mais longo, sobre várias gerações, veja nosso guia para criar um livro com a história da família.
Livro de memórias digital ou impresso: uma comparação honesta
Um livro de memórias impresso é concreto. Você pode segurá-lo, dar de presente, deixá-lo numa estante onde um neto o encontra por acaso. Ele não precisa de aparelho nem de conta. Mas é fixo: depois de impresso, você não pode acrescentar a foto que seu primo encontra no ano seguinte. Normalmente existe uma cópia só, reimprimir custa caro, e um livro não guarda uma voz nem um vídeo.
Um livro de memórias digital pode crescer. Os parentes podem acrescentar suas próprias lembranças, várias pessoas podem vê-lo ao mesmo tempo, e ele guarda o que o papel não guarda: a voz de uma avó, um vídeo curto, a gravação de uma música. Mas pede cuidado. Guarde os arquivos em formatos comuns, mantenha-os em mais de um lugar e garanta que alguém possa assumir a conta quando você não puder mais.
Muitas famílias fazem os dois: um livro de memórias digital vivo, que continua crescendo, e uma seleção impressa para um aniversário ou uma homenagem. O digital é a fonte; o impresso é um momento tirado dele.
Um palácio como livro de memórias vivo
O The Memory Palace funciona como um livro de memórias digital que você pode percorrer: um palácio privado em 3D com saguão, alas e salas, no iPhone, no iPad, no Android e no navegador, com os dados guardados na União Europeia. O app está em inglês, holandês, alemão, francês e espanhol, ainda não em português.
- Salas como capítulos. Uma sala por pessoa, casal ou período, uma ala por ramo da família. Você decide a ordem.
- Fotos com nome e ano. Suas fotos ficam penduradas nas paredes, com um nome e um ano embaixo de cada moldura. Cartas, documentos e vídeos também podem ir para lá.
- A voz ao lado da foto. Grave com a sua própria voz quem era aquela pessoa, ou acrescente uma gravação que você já tem.
- Histórias escritas ao lado das fotos, longas ou curtas como você quiser.
- Os parentes acrescentam suas próprias lembranças. As salas são privadas por padrão. Você convida pessoas para uma sala ou uma ala, e lá elas podem acrescentar fotos, histórias e gravações de voz.
- Depois de você. Em 'Settings', 'Legacy' você escolhe quem recebe quais alas ou salas, e quando.
- Exportação. Uma exportação completa como arquivo ZIP a qualquer momento, também no plano grátis, para você usar as fotos e histórias num livro impresso em outro lugar.
Para deixar claro: o The Memory Palace não imprime livros. Ele é a parte viva, o lugar onde o livro de memórias continua crescendo. Percorra um palácio de exemplo, sem cadastro.
Quer compartilhar fotos com os parentes sem um link público? Leia como organizar e compartilhar um álbum de família privado.