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10 perguntas para fazer aos seus avós, e como perguntar

· 5 min de leitura · Equipe The Memory Palace

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A maioria de nós acha que conhece a história dos avós. Sabemos as linhas gerais: onde cresceram, em que trabalharam, como se conheceram. Mas por baixo dessas manchetes estão décadas de experiências, emoções e sabedoria sobre as quais a gente simplesmente nunca perguntou.

Muitas dessas histórias vieram de longe. Segundo o IBGE, o Brasil foi um país predominantemente rural até a década de 1960, e em 2010 já eram 84,4 por cento da população morando em áreas urbanas. Ou seja: é bem provável que um dos seus avós tenha nascido no interior, numa roça ou numa cidade pequena, e se mudado para a cidade grande. Muitas famílias descendem de quem atravessou o oceano, de Portugal, da Itália, do Japão (o Kasato Maru chegou a Santos em 18 de junho de 1908) e de tantos outros lugares; de africanos trazidos à força e escravizados; e de povos indígenas que já estavam aqui muito antes de qualquer cartório. Cada uma dessas origens é uma história que só eles podem contar.

As dez perguntas abaixo foram pensadas para abrir histórias mais profundas. São específicas o bastante para despertar lembranças vivas, mas abertas o bastante para que a conversa flua naturalmente. Faça uma de cada vez e prepare-se para as surpresas.

As perguntas

1. Qual é a sua primeira lembrança? Essa pergunta muitas vezes volta aos três ou quatro anos de idade e traz detalhes dos sentidos, um cheiro, um som, uma sensação, que dão o tom de toda a história deles.

2. Qual era a sua comida preferida quando criança, e quem fazia? A comida está profundamente ligada à memória e à emoção. A resposta quase sempre puxa histórias sobre a família, as tradições e o dinheiro que havia ou faltava em casa: o fogão a lenha, a horta no quintal, o pão feito em casa, a receita que veio de outro país.

3. Qual foi a decisão mais difícil que você já teve que tomar? Ela convida a pensar nos momentos decisivos, uma troca de trabalho, uma mudança de cidade, um relacionamento, e revela os valores e as prioridades que definiram o caminho da família. Para muitos avós brasileiros, a resposta é a decisão de deixar o lugar onde nasceram.

4. O que você queria ser quando crescesse, e o que aconteceu no lugar disso? A distância entre o sonho de criança e a realidade de adulto é muitas vezes onde moram as histórias mais interessantes.

5. Como era um domingo comum quando você tinha dez anos? Essa pergunta guarda a textura do dia a dia de um mundo que desapareceu: a missa ou o culto, o almoço de domingo com a família inteira, o rádio, o futebol de rua. As respostas costumam surpreender as gerações mais novas, que não conseguem imaginar a vida sem tela, sem carro ou sem supermercado.

Indo mais fundo

6. Quem foi a pessoa que mais influenciou a sua vida, e por quê? Aqui aparecem mentores, exemplos e às vezes figuras inesperadas, uma professora, um vizinho, um desconhecido, que ajudaram a fazer deles quem eles são.

7. O que você viveu que não queria que os seus netos passassem? A pergunta respeita as experiências difíceis e, ao mesmo tempo, traz a sabedoria à tona. Ela dá aos mais velhos permissão para falar das dificuldades sem pedir que revivam um trauma.

8. Que tradição da sua infância você gostaria que a gente ainda mantivesse? Assim aparecem costumes e rituais esquecidos que a família pode decidir trazer de volta, como a fogueira de São João no quintal, uma novena, a ceia de Natal do jeito antigo, e você mostra que valoriza a opinião deles sobre como as coisas deveriam ser.

9. O que você sabe hoje que gostaria de ter sabido na minha idade? Um convite direto para dividir o que a vida ensinou, e muitas vezes a pergunta que rende as respostas mais marcantes, aquelas que a família vai repetir por anos.

10. O que você mais quer que os seus bisnetos saibam sobre você? Essa pergunta dá ao seu avô ou à sua avó o controle sobre o próprio legado. Pede que ele ou ela escolha o que mais importa, o que já é, por si só, um profundo exercício de reflexão.

Como usar estas perguntas

Não dispare as dez perguntas numa conversa só. Escolha duas ou três para cada visita e deixe a conversa ir para onde quiser. Um café da tarde, o fim do almoço de domingo ou o caminho de carro até a casa de um parente são boas ocasiões. Grave a conversa se puder: até uma gravação de voz no celular guarda o ritmo e a emoção que as anotações não conseguem.

Se precisar de mais ideias, a nossa lista gratuita de vinte perguntas para fazer aos seus pais funciona igualmente bem com os avós e pode ser impressa para levar à visita. E se a conversa for por escrito, ou à distância, a nossa entrevista em família faz uma pergunta e depois mais duas, com calma, para puxar o fio da história. Grátis, no navegador e sem cadastro.

Depois de cada conversa, anote as histórias principais enquanto elas ainda estão frescas. Registre os detalhes que surpreenderam você, os nomes que apareceram e as perguntas que você quer fazer da próxima vez. Essas anotações viram a matéria-prima de um acervo da família que fica mais precioso a cada ano. Para o passo seguinte, veja como gravar a história de vida dos seus pais e avós.

Fontes

  • Celso Cardoso Silva Simões, Breve histórico do processo demográfico, em IBGE, Brasil: uma visão geográfica e ambiental no início do século XXI (2016), com a passagem de país predominantemente rural para 84,4 por cento de população urbana: biblioteca.ibge.gov.br
  • JICA Brasil, 18 de junho, Dia Nacional da Imigração Japonesa (chegada do Kasato Maru a Santos em 1908): jica.go.jp

Perguntas frequentes

Que perguntas fazer aos meus avós?

Bons pontos de partida são: Qual é a sua primeira lembrança? Qual era a sua comida preferida quando criança, e quem fazia? Qual foi a decisão mais difícil que você já tomou? São perguntas específicas o bastante para trazer lembranças vivas e abertas o bastante para deixar a pessoa falar à vontade.

Quantas perguntas devo fazer aos meus avós de uma vez?

Duas ou três por conversa. Não tente passar pelas dez numa tarde só. Deixe a conversa ir para onde ela quiser, porque os desvios muitas vezes levam às melhores histórias.

Como perguntar aos meus avós sobre tempos difíceis sem magoar?

Pergunte "O que você viveu que não queria que os seus netos passassem?" A pergunta respeita as experiências duras e traz a sabedoria à tona sem pedir que a pessoa reviva um trauma em detalhes. Deixe que ela decida quanto quer contar.

Por que perguntar aos avós sobre dias comuns?

Uma pergunta como "Como era um domingo comum quando você tinha dez anos?" guarda um jeito de viver que já desapareceu. As respostas costumam surpreender as gerações mais novas, que não conseguem imaginar a vida sem tela, sem carro ou sem supermercado.

Devo gravar as conversas com os meus avós?

Sim, se eles se sentirem à vontade. Até uma gravação de voz no celular guarda o ritmo e a emoção que as anotações perdem. Depois, anote as histórias principais, os nomes que apareceram e as perguntas para a próxima vez.

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