No álbum da sua avó há uma foto de um homem de chapéu na frente de uma casa de madeira. No verso, a lápis: “Jules, Detroit, 1923”. Todo mundo sabia que um tio tinha ido para a América. Ninguém lembra quando, nem o que foi feito dele. Com as listas de passageiros, muitas vezes dá para ir surpreendentemente longe.
A resposta curta
Comece pesquisando as listas de chegada do outro lado do oceano: para Nova York, de graça no banco de dados de Ellis Island; para o Canadá, na Library and Archives Canada. Se o seu antepassado saiu de Antuérpia, o Red Star Line Museum também pode ajudar. De Roterdã, há as listas da Holland America Line. E pode ficar tranquilo quanto ao nome: ele não foi trocado em Ellis Island.
A Red Star Line, de Antuérpia
De 1873 a 1934, a Red Star Line navegou de Antuérpia para a América, levando cerca de dois milhões de passageiros. A maioria chegava a Nova York. Desde 2013, o Red Star Line Museum, em Antuérpia, conta a história deles. Junto com a Familiekunde Vlaanderen, o museu tem um banco de dados de cerca de 100.000 emigrantes. Ele não está online: você o consulta no museu ou no centro da Familiekunde Vlaanderen em Merksem. Por isso, o melhor é começar pelas listas de chegada.
Ellis Island e Nova York
De 1892 a 1954, Ellis Island foi a porta de entrada dos Estados Unidos: mais de 12 milhões de imigrantes chegaram ali, a maioria antes de 1924. O banco de dados da Statue of Liberty-Ellis Island Foundation pode ser pesquisado de graça, sem cadastro, e cobre chegadas a Nova York de 1820 a 1957, e também outros portos. Com uma conta gratuita você pode salvar resultados.
Uma lista de passageiros muitas vezes conta mais do que você espera. Segundo os Arquivos Nacionais dos Estados Unidos, ela traz, entre outras coisas:
- local de nascimento, nacionalidade e idade;
- profissão e último local de residência;
- uma descrição da pessoa;
- o parente ou conhecido com quem ela ia morar;
- quanto dinheiro levava.
O mito do nome trocado
Muitas famílias contam que o nome do seu antepassado foi trocado em Ellis Island. Não é verdade. Segundo o historiador do serviço de imigração dos Estados Unidos, as listas de passageiros não eram feitas em Ellis Island, mas na Europa, na partida. Em geral um nome mudava depois, na naturalização ou porque o próprio emigrante o adaptava. Então pesquise também pela grafia original.
Canadá
A Library and Archives Canada tem listas de passageiros gratuitas de 1865 a 1935, pesquisáveis por nome ou por navio. Quem chegou mais tarde muitas vezes passou pelo Pier 21, em Halifax, que funcionou de 1928 a 1971. Hoje é um museu com um centro de história da família.
Dos Países Baixos
- Holland America Line: as listas de passageiros de 1900 a 1969, cerca de 2,78 milhões de registros, estão no Stadsarchief Rotterdam (Arquivo Municipal de Roterdã) e podem ser pesquisadas pelo WieWasWie e pelo Open Archieven. Muitas vezes só aparece a pessoa que reservou a viagem.
- Nationaal Archief (Arquivo Nacional da Holanda): índices de nomes online de emigrantes de 1845 a 1878 para todos os Países Baixos, e de 1850 a 1900 para a Holanda do Sul. Para quem partiu depois da guerra, para o Canadá a partir de 1947 ou para a Austrália a partir de 1949, o arquivo guarda listas de partida, mas elas não podem ser pesquisadas por nome online.
Depois da chegada
- Censos: os censos dos Estados Unidos são liberados 72 anos depois de feitos. Os de 1940 e 1950 estão online de graça. O índice de nomes de 1950 foi criado automaticamente e tem erros, então olhe também a imagem digitalizada.
- Naturalização: os registros de antes de 27 de setembro de 1906 estão nos tribunais locais. Os posteriores, de 1906 a 1956, podem ser pedidos pelo programa de genealogia do serviço de imigração dos Estados Unidos, o USCIS.
A história de quem partiu
Uma lista de passageiros diz quando alguém partiu. As cartas para casa, as fotos da vida nova e as histórias que a família continuou contando dizem por quê. Junte tudo. No The Memory Palace você pode criar uma sala para quem partiu, com a lista, as fotos e as cartas, e convidar a família dos dois lados do oceano para dar uma olhada. O app está em inglês, holandês, alemão, francês e espanhol, ainda não em português.
Se você está começando agora a sua árvore genealógica, leia também nossos guias sobre a Bélgica e os Países Baixos.